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“Transformer” (RCA, 1972), Lou Reed

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Por Sidney Falcão Lou Reed (1942-2013) se mostrava um tanto quanto desiludido com a música, quando deixou a banda Velvet Underground, em 1970. Ele saiu do Velvet Underground num momento em que a banda finalizava as gravações do álbum Loaded , que seria lançado naquele ano. Os discos do Velvet Underground podiam ser muito bem avaliados pela crítica e podiam ser bons de conceito, porém não vendiam absolutamente nada, eram um fracasso em vendas. De tão desiludido, Reed chegou a voltar a morar na casa dos seus pais, e foi trabalhar no escritório de contabilidade do seu pai. Após dois anos afastado da carreira artística, Reed retornou em abril de 1972 com o lançamento do seu primeiro e autointitulado álbum solo. Infelizmente, o disco foi um tremendo fiasco.   Fã do Velvet Underground, David Bowie (1946-2017), astro do rock inglês que estava em plena ascensão, decidiu ajudar Reed produzindo o segundo álbum do cantor americano. E para essa empreitada, Bowie recrutou o guitarrista da s...

“Elis” (Philips,1972), Elis Regina

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Por Sidney Falcão No início dos anos 1970, Elis Regina (1945-1982) já era uma cantora de grande prestígio no cenário musical brasileiro. Porém, a artista passava por um processo de mudanças tanto na vida pessoal como na profissional. Seu casamento conturbado com o compositor, produtor musical e jornalista Ronaldo Bôscoli (1928-1994), estava chegando ao fim. Na carreira profissional, a artista passava por um processo de transição. Ao final da década de 1960, Elis era uma cantora que, embora fosse jovem, era vista como uma cantora defasada, obsoleta. A música brasileira naquele fim de década, passava por transformações, sob a influência do Tropicalismo e da música pop internacional da época. O rock psicodélico estava em alta, a soul music dominava as paradas americanas e começava chegar ao Brasil. O público jovem brasileiro estava em completa sintonia com essas transformações. A postura intransigente de Elis Regina em defesa de uma música brasileira “purista” (ela liderou a famigera...

“Axis: Bold As Love” (Track Records, 1967), The Jimi Hendrix Experience

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Por Sidney Falcão O mundo ainda estava perplexo com o impacto causado pelo álbum de estreia do power trio britânico The Jimi Hendrix Experience, Are You Experienced , lançado em maio de 1967, quando a banda entrou em estúdio naquele mesmo mês para começar a gravar o segundo álbum de estúdio, Axis: Bold As Love . A perplexidade não era para menos, afinal, o trio tinha à sua frente Jimi Hendrix (1942-1970), guitarrista americano que mais parecia ter vindo de outra galáxia, tal era a maneira completamente inovadora em tocar a sua guitarra elétrica. Mal havia lançado o primeiro álbum, e o trio já estava entrando em estúdio para gravar Axis: Bold As Love , o seu segundo álbum de estúdio. O contrato com a gravadora Track Records, estabelecia que a banda deveria lançar dois álbuns em 1967. Jimi Hendrix, o baixista Noel Redding (1945-2003) e o baterista Mitch Mitchell (1946-2008), mais o produtor Chas Chandler (1938-1996), entraram no Olympic Studios, em Londres, Inglaterra, para gravar ...

“Expresso 2222” (Philips, 1972), Gilberto Gil

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Por Sidney Falcão Após pouco mais de dois anos de exílio na Inglaterra, Gilberto Gil e sua esposa Sandra Gadelha retornaram ao Brasil em janeiro de 1972, e com um novo membro na família: Pedro Gil (1970-1990), o filho do casal nascido em Londres. O exílio forçado ocorreu depois que Gil e Caetano Veloso, seu parceiro na liderança do movimento tropicalista , foram presos em dezembro de 1968 pela ditadura militar brasileira (1964-1985), acusados de subversão. Em meados de 1969, os dois artistas e suas respectivas esposas tiveram que deixar o Brasil e partiram para o exílio em Londres. Embora tivesse que deixar a sua pátria em circunstâncias autoritárias, do ponto de vista artístico, a experiência de Gil no exílio foi rica. O cantor baiano teve contato com a efervescente cena musical britânica da época. Teve contato direto com o rock inglês, com o jazz, a psicodelia, os festivais de música e toda produção de vanguarda musical que ocorria naquele momento na Inglaterra. Antenado, Gil in...

“Can’t Buy A Thrill” (ABC Records, 1972), Steely Dan

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Por Sidney Falcão Se tivéssemos que definir a obra da banda Steely Dan em apenas uma palavra, ela seria perfeccionismo. A banda americana notabilizou-se pela alta qualidade das gravações dos seus álbuns. Esse alto padrão de qualidade de gravação dos álbuns da banda se deve ao tecladista Donald Fagen e ao baixista Walter Becker (1950-2017), as duas mentes criativas do Steely Dan. Juntos, os dois comandavam com “mão de ferro” a banda, para desespero dos músicos que passaram pelo grupo. Em busca de um som perfeito, Fagen e Becker eram obcecados pela perfeição sonora durante as gravações dos discos do Steely Dan. Não faziam a menor cerimônia em exigir que regravasse inúmeras vezes a passagem de um trecho de uma música quando julgavam não estar perfeita. O perfeccionismo exagerado e o egocentrismo de Fagen e Becker gerara vários conflitos entre a dupla e os outros integrantes da banda, tornando o ambiente insuportável dentro do Steely Dan. Donald Fagen e Walter Becker se conheceram ai...