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Mostrando postagens com o rótulo Pós-punk

The Head On The Door (Fiction Records, 1985), The Cure

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Por Sidney Falcão   Em 1985, Robert Smith abriu uma porta que até então parecia trancada por dentro. Do outro lado não havia exatamente luz plena — seria pedir demais de The Cure —, mas cores, movimento, ritmo e uma curiosa sensação de alívio. The Head On The Door , sexto álbum da banda inglesa, nasce como um gesto de sobrevivência artística: depois de levar o pós-punk ao limite da asfixia emocional na chamada “trilogia sombria” ( Seventeen Seconds (1980), Faith  (1981)e Pornography (1982)), Smith percebeu que insistir naquele caminho seria menos um aprofundamento estético e mais uma autodestruição lenta. Era preciso mudar. Respirar. E, por que não, flertar com o pop.   Essa guinada não surge do nada. Entre 1982 e 1984, The Cure experimentou uma fase curiosamente errática, porém libertadora. Singles como “Let’s Go to Bed”, “The Walk” e “The Lovecats” — reunidos depois em Japanese Whispers — funcionaram como pequenos laboratórios de humor, groove e ironia. Eram cançõe...

Rádio Pirata ao Vivo (Epic, 1986), RPM

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Por Sidney Falcão Em 1985, o Brasil ainda tateava sua recém-conquistada liberdade. O álbum de estreia, Revoluções por Minuto , lançado em maio daquele ano, já havia estabelecido o RPM como a ponta de lança de uma modernidade sombria e dançante. Mas foi o encontro com o empresário Manoel Poladian que mudou as regras do jogo. Poladian, acostumado ao gigantismo de Roberto Carlos, não queria apenas uma banda de danceteria; ele projetou um espetáculo de arena. A infraestrutura era imperial: carretas, cenários móveis e uma equipe de 27 pessoas. Paulo Ricardo definiu o momento como o "Plano Real do rock brasileiro", uma tentativa deliberada de entrar no primeiro mundo estético, equiparando o RPM a titãs como o Genesis. Sob a direção artística de Ney Matogrosso, o show tornou-se uma experiência audiovisual cyberpunk inspirada em Blade Runner , onde o gelo seco e os tons gélidos de azul e branco criavam uma aura de frieza sensual e ineditismo. O álbum não foi planejado como um p...

10 discos essenciais – Pós-punk

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Por Sidney Falcão Surgido no final dos anos 1970, o pós-punk foi uma reação à simplicidade crua do punk rock. Em vez de seguir os três acordes da rebeldia, buscou expandir as possibilidades sonoras com experimentações, letras profundas e uma gama ampla de influências. Se o punk gritava revolta, o pós-punk murmurava desilusão, com ritmos fragmentados, guitarras cortantes, baixos inspirados no dub e sintetizadores gélidos.   O gênero surgiu no Reino Unido por volta de 1977–1978, quando bandas como Public Image Ltd. (liderada por John Lydon, ex-Sex Pistols), Magazine e Wire começaram a ultrapassar as limitações estéticas do punk. Mantinham sua energia, mas incorporavam art rock, funk, reggae, música eletrônica e até jazz. Nas letras, predominavam o existencialismo, o intelectualismo e um pessimismo urbano.   Um dos primeiros e mais influentes discos do estilo foi Metal Box (1979), do Public Image Ltd., que desmontava a estrutura do rock com linhas de baixo pesadas e arranjos abs...

Capital Inicial (Polygram, 1986), Capital Inicial

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Por Sidney Falcão   O início dos anos 1980 marcou uma revolução no rock brasileiro com a ascensão de uma nova geração de bandas e artistas do gênero, que trouxe uma nova identidade para a música jovem brasileira. Em meio ao fim da ditadura e à reabertura política, bandas como Blitz, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Legião Urbana emergiram com uma sonoridade moderna e letras que falavam diretamente à juventude da época.   A explosão do daquela nova geração roqueira deve muito à fusão de referências internacionais – do punk ao new wave – com a realidade brasileira. As bandas passaram a abordar temas urbanos, questões existenciais e críticas sociais, estabelecendo uma conexão única com o público. O surgimento de programas de TV e rádios voltados ao rock ajudou a consolidar o gênero, enquanto as gravadoras enxergaram o potencial comercial do novo som.   A nova geração do rock brasileiro nos anos 1980 não estava restrita ao Rio de Janeiro e a São Paulo, mas també...