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Mostrando postagens com o rótulo 1960-1969

Blonde On Blonde (Columbia Records, 1966), Bob Dylan

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Por Sidney Falcão Há discos que soam como um instante de revelação; outros, como o próprio colapso do mundo. No caso de Blonde On Blonde , ele é ambos. Este álbum duplo nasceu do exaustivo ciclo que levou Bob Dylan do trovador de café universitário ao profeta elétrico de arenas — uma ascensão tão vertiginosa que só poderia culminar em vertigem. O Dylan que chegou a esse álbum era um homem de vinte e cinco anos, cercado por câmeras, fãs e anfetaminas, recém-casado com Sara Lowndes e arrastado por uma turnê incessante que já o fazia dormir em pé. Um poeta perseguido pela própria claridade.   Blonde on Blonde era o terceiro capítulo de uma trilogia que começara em 1965 com os álbuns Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited : o ciclo elétrico que redefiniu o rock. Se os dois anteriores soavam como um choque entre poesia e corrente alternada, Blonde On Blonde expandia essa colisão para uma escala sinfônica. O primeiro álbum duplo da história do rock não apenas dobrava o t...

Monk's Dream (Columbia Records, 1963), The Thelonious Monk Quartet

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Por Sidney Falcão   Em 1963, quando  Monk’s Dream  chegou às lojas, Thelonious Monk (1917-1982) já não era um nome emergente do jazz, mas tampouco podia ser considerado um artista de massas. Desde os anos 1940, sua figura excêntrica e sua linguagem pianística singular — cheia de dissonâncias, silêncios calculados e ataques abruptos ao teclado — haviam transformado o pianista em uma lenda viva do bebop. No entanto, ao longo de quase duas décadas, sua música ainda era vista como “difícil”, reservada a iniciados. O contrato com a Columbia Records, assinado no início dos anos 1960, mudou esse destino. A gravadora tinha experiência em transformar gênios aparentemente herméticos em artistas de público amplo. Com Monk, o desafio era dar forma a esse “sonho” de reconhecimento.   Monk’s Dream foi o primeiro disco do pianista para a Columbia. Gravado em outubro e novembro de 1962 e lançado em fevereiro de 1963, trouxe Monk em seu estado mais puro e, paradoxalmente, mais a...

Roberto Carlos (CBS,1969), Roberto Carlos

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Por Sidney Falcão No fim dos anos 1960, enquanto o Brasil girava em torno de incertezas políticas, censura e efervescência cultural, Roberto Carlos encostava o carro na beira da praia — não para tomar sol, mas para encontrar o silêncio. Com os olhos postos no horizonte e um cachimbo entre os dedos, ele se preparava para dar um passo que mudaria para sempre sua música, sua imagem e sua voz interior. O álbum Roberto Carlos , lançado em dezembro de 1969, não é só o nono disco de estúdio de sua carreira. É o seu primeiro mergulho real na maturidade artística, uma travessia do espelhado mundo iê-iê-iê da Jovem Guarda para um oceano mais introspectivo, sofisticado e dolorosamente humano.   Conhecido como "o disco da praia" por causa da imagem de Roberto Carlos na capa, sentado na areia, o álbum mostra o cantor buscando um ponto de equilíbrio entre o pop romântico que o consagrou e a sofisticação harmônica e lírica da MPB. Ele chega lá por meio de uma ponte construída com arran...

A Charlie Brown Christmas (Fantasy Records, 1965), Vince Guaraldi Trio

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Por Sidney Falcão   Lançado em 1965, A Charlie Brown Christmas , do Vince Guaraldi Trio, é um dos álbuns natalinos mais icônicos de todos os tempos. Originalmente criado como a trilha sonora de um especial de animação, o disco rapidamente transcendeu seu contexto inicial para se consolidar como um clássico não apenas do jazz, mas da cultura pop como um todo. A genialidade do pianista Vince Guaraldi (1928-1976), que soube unir sofisticação harmônica, lirismo melódico e uma abordagem inovadora à música natalina tradicional, fez do álbum uma obra atemporal, celebrada por gerações há quase seis décadas.   Antes de se tornar a principal assinatura musical do universo de Peanuts , Vince Guaraldi já era um respeitado pianista no mundo do jazz. Nascido em São Francisco, em 1928, ele iniciou sua carreira na década de 1950, tocando ao lado de nomes consagrados como  Cal Tjader (1925-1982) ,  Woody Herman (1913-1987)  e  Stan Getz (1927-1991) . Durante esse períod...

É Proibido Fumar (CBS,1964), Roberto Carlos

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Por Sidney Falcão Em 1964, Roberto Carlos já não era um novato na música brasileira, mas ainda buscava firmar uma identidade artística. Após os primeiros passos com influências do bolero e do twist, É Proibido Fumar marcou um avanço significativo na construção do seu estilo, consolidando a aposta no rock jovem e aproximando-o do público adolescente.   O cenário musical da época refletia um momento de efervescência. No Brasil, a bossa nova e a MPB começavam a ganhar contornos mais sofisticados, enquanto no exterior os Beatles e o fenômeno da "Invasão Britânica" redefiniam os rumos do pop. Inserido nesse contexto, o terceiro álbum de Roberto Carlos seguiu a trilha aberta pelo antecessor Splish Splash (1963), mas com mais segurança e coesão sonora.   Combinando versões de sucessos internacionais e composições próprias, muitas delas em parceria com Erasmo Carlos (1941-2022), o disco ajudou a pavimentar o caminho para o estouro da Jovem Guarda e consolidou Roberto como ...