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Mostrando postagens com o rótulo 2000-2009

Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro (Warner, 2000) Nando Reis

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Por Sidney Falcão   No início dos anos 2000, Nando Reis vivia uma encruzilhada. Ainda era um Titã, mas a convivência dentro da banda se tornava cada vez mais desgastante. Depois da densidade de Titanomaquia que gerou divergências suas com os suas com os seus companheiros de banda a partir de então, Nando percebia que sua pulsão criativa seguia por outro caminho: mais íntimo, romântico, repleto de imagens que nasciam da memória, da infância, da vida em família. Esse contraste entre o peso dos Titãs e a delicadeza das canções que floresciam em seu violão fez nascer Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro , segundo álbum solo do cantor e compositor, lançado em 2000.   O título já sugere uma busca, quase uma fábula: o arco-íris como metáfora para a pluralidade de cores sonoras e o pote de ouro como a promessa de reconhecimento. Curiosamente, esse pote só seria encontrado anos depois, quando Nando enfim consolidou sua carreira solo após sair definitivamente dos Titãs,...

Stories From The City, Stories From The Sea (Island Records, 2000), PJ Harvey

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Por Sidney Falcão   Nascida na zona rural de Dorset, na Inglaterra, Polly Jean Harvey, ou simplesmente PJ Harvey, sempre fez do desconforto um motor criativo. Nos anos 1990, com os álbuns  Dry  (1992),  Rid Of Me  (1993) e  To Bring You My Love  (1995), ela esculpiu um universo sonoro tenso e visceral, onde letras carregadas de dor e isolamento se misturavam a arranjos minimalistas e uma estética sombria. Mas eis que, em  Stories From The City, Stories From The Sea , seu quinto álbum, PJ Harvey dá uma guinada. O disco não abandona totalmente os temas sombrios, mas adota um tom mais melódico e expansivo – um raro momento de respiro em sua discografia.   A mudança de ares foi determinante nessa guinada. Harvey passou um tempo em Nova York, e a cidade pulsante deixou marcas profundas em sua música. O caos vibrante da metrópole contrastava com as paisagens bucólicas de Dorset, onde ela cresceu e ainda mantém raízes. Esse embate entre concreto e n...

10 discos essenciais: Iron Maiden

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Por Sidney Falcão  Na noite de Natal de 1975, em Londres, nascia o Iron Maiden, uma das bandas mais icônicas da história do heavy metal . Fundada pelo baixista Steve Harris, a banda recebeu seu nome inspirado em um instrumento de tortura medieval, antecipando a atmosfera sombria e intensa que marcaria sua trajetória. Desde os primeiros anos, o Maiden se destacou na cena underground britânica, tornando-se um dos principais expoentes da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), ao lado de grupos como Saxon e Def Leppard. O movimento resgatava a essência do metal ao eliminar influências do blues e adicionar peso e velocidade às composições, criando um novo paradigma para o gênero.  Após algumas mudanças na formação, o Iron Maiden encontrou sua primeira configuração coesa em 1978, com Steve Harris no baixo, Dave Murray na guitarra, Paul Di’Anno nos vocais e Doug Sampson na bateria. Foi esse quarteto que gravou a lendária demo Soundhouse Tapes , um compacto com três faixas que ra...

“Anacrônico” (Deckdisc, 2005), Pitty

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Por Sidney Falcão No horizonte da carreira de Pitty, Anacrônico surge como uma transição ousada e necessária. Após o estrondoso sucesso de Admirável Chip Novo (2003), que a consagrou como uma das principais vozes do rock brasileiro contemporâneo, o segundo álbum de estúdio da cantora baiana carrega a responsabilidade de dar continuidade a um legado recém-construído, mas já profundamente impactante. Enquanto o primeiro disco mergulhava em críticas sociais e sonoridades vigorosas, Anacrônico reflete um amadurecimento artístico e emocional, evidenciado tanto nas letras introspectivas quanto na experimentação musical.   Composto em um momento de transição cultural e musical no Brasil, o álbum não só reafirma a relevância do rock nacional, mas também dialoga com novas influências e tendências. Ao equilibrar agressividade e delicadeza, Pitty se distancia de fórmulas fáceis, criando uma obra que convida o ouvinte a revisitar suas próprias contradições. Assim, Anacrônico consolida ...

“Hopes and Fears” (Island Records, 2004), Keane

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Por Sidney Falcão No início dos anos 2000, o rock alternativo britânico passava por um processo de revitalização após a "ressaca" da onda britpop , que nos anos 1990 fora capitaneada por Oasis e Blur. Uma nova geração de bandas britânicas, como Coldplay, Travis e Snow Patrol, começava a despontar, trazendo um novo sopro de vida ao britpop — ou ao que restou dele.   Foi por meio dessa geração que o Keane ganhou visibilidade, ainda como um trio. No entanto, a banda oferecia algo ligeiramente diferente: um som melódico e introspectivo, que se destacava pela ausência de guitarras elétricas, sendo guiado principalmente pelo piano e pelos sintetizadores. Esse diferencial foi fundamental para a identidade do Keane e para a receptividade positiva junto ao público e à crítica.   A história do Keane começou em 1995, quando os amigos de infância Tim Rice-Oxley (piano, teclados, baixo e vocais de apoio), Dominic Scott (guitarra) e Richard Hughes (bateria e vocais de apoio) formaram...