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Blonde On Blonde (Columbia Records, 1966), Bob Dylan

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Por Sidney Falcão Há discos que soam como um instante de revelação; outros, como o próprio colapso do mundo. No caso de Blonde On Blonde , ele é ambos. Este álbum duplo nasceu do exaustivo ciclo que levou Bob Dylan do trovador de café universitário ao profeta elétrico de arenas — uma ascensão tão vertiginosa que só poderia culminar em vertigem. O Dylan que chegou a esse álbum era um homem de vinte e cinco anos, cercado por câmeras, fãs e anfetaminas, recém-casado com Sara Lowndes e arrastado por uma turnê incessante que já o fazia dormir em pé. Um poeta perseguido pela própria claridade.   Blonde on Blonde era o terceiro capítulo de uma trilogia que começara em 1965 com os álbuns Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited : o ciclo elétrico que redefiniu o rock. Se os dois anteriores soavam como um choque entre poesia e corrente alternada, Blonde On Blonde expandia essa colisão para uma escala sinfônica. O primeiro álbum duplo da história do rock não apenas dobrava o t...

10 discos essenciais – Pós-punk

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Por Sidney Falcão Surgido no final dos anos 1970, o pós-punk foi uma reação à simplicidade crua do punk rock. Em vez de seguir os três acordes da rebeldia, buscou expandir as possibilidades sonoras com experimentações, letras profundas e uma gama ampla de influências. Se o punk gritava revolta, o pós-punk murmurava desilusão, com ritmos fragmentados, guitarras cortantes, baixos inspirados no dub e sintetizadores gélidos.   O gênero surgiu no Reino Unido por volta de 1977–1978, quando bandas como Public Image Ltd. (liderada por John Lydon, ex-Sex Pistols), Magazine e Wire começaram a ultrapassar as limitações estéticas do punk. Mantinham sua energia, mas incorporavam art rock, funk, reggae, música eletrônica e até jazz. Nas letras, predominavam o existencialismo, o intelectualismo e um pessimismo urbano.   Um dos primeiros e mais influentes discos do estilo foi Metal Box (1979), do Public Image Ltd., que desmontava a estrutura do rock com linhas de baixo pesadas e arranjos abs...

Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro (Warner, 2000) Nando Reis

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Por Sidney Falcão   No início dos anos 2000, Nando Reis vivia uma encruzilhada. Ainda era um Titã, mas a convivência dentro da banda se tornava cada vez mais desgastante. Depois da densidade de Titanomaquia que gerou divergências suas com os suas com os seus companheiros de banda a partir de então, Nando percebia que sua pulsão criativa seguia por outro caminho: mais íntimo, romântico, repleto de imagens que nasciam da memória, da infância, da vida em família. Esse contraste entre o peso dos Titãs e a delicadeza das canções que floresciam em seu violão fez nascer Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro , segundo álbum solo do cantor e compositor, lançado em 2000.   O título já sugere uma busca, quase uma fábula: o arco-íris como metáfora para a pluralidade de cores sonoras e o pote de ouro como a promessa de reconhecimento. Curiosamente, esse pote só seria encontrado anos depois, quando Nando enfim consolidou sua carreira solo após sair definitivamente dos Titãs,...

Rising (Polydor, 1976), Rainbow

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Por Sidney Falcão Há discos que parecem existir fora do tempo, como se tivessem sido talhados em pedra, erguidos em alguma montanha mítica para resistir às eras. Rising , do Rainbow, é um desses monumentos. Lançado em maio de 1976, é mais do que um simples segundo álbum de estúdio: é o momento em que Ritchie Blackmore, recém-liberto das amarras criativas do Deep Purple, encontra a síntese perfeita entre sua obsessão por riffs cortantes, mitologia medieval e uma ambição sinfônica que pavimentaria a estrada para o heavy metal dos anos seguintes.   A história começa no colapso do Purple. Em 1975, Blackmore já não tolerava as experimentações soul e funk que dominavam o grupo com a entrada de Glenn Hughes e David Coverdale. Sua saída foi inevitável — mas não silenciosa. Formando o Rainbow com músicos do Elf, banda de Ronnie James Dio, o guitarrista lançou Ritchie Blackmore’s Rainbow ainda em 1975. A estreia tinha lampejos, mas soava como um exercício de transição. Faltava coesão, fal...