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Mostrando postagens com o rótulo 1990-1999

10 discos essenciais: Alceu Valença

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Por Sidney Falcão Sob o sol alto do agreste pernambucano, entre o cheiro da terra quente e o canto dos violeiros de feira, nasceu naquele 1º de julho de 1946 um menino de olhar luminoso e ouvido inquieto: Alceu Paiva Valença. Filho de São Bento do Una, cresceu entre aboios, versos de cordel e sanfonas que pareciam conversar com o vento. Era um Brasil arcaico, de narrativas orais e ritmo de feira, onde os poetas anônimos faziam da cantoria um ato de resistência. Dessa paisagem de cores secas e imaginação fértil nasceria um artista destinado a reencantar o Nordeste com a força elétrica do seu próprio som. A música entrou na vida de Alceu antes mesmo que ele soubesse nomeá-la. Em casa, o avô, Orestes Alves Valença, era poeta e violeiro — um dos primeiros a lhe mostrar que a palavra podia dançar. Nas feiras, escutava Jackson do Pandeiro(1919-1982), Luiz Gonzaga (1912-1989) e Marinês (1934-2007), ecos fundadores de uma tradição que o moldaria. Quando, aos dez anos, mudou-se para o Recif...

Grand Prix (Creation / DGC, 1995), Teenage Fanclub

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Por Sidney Falcão O Teenage Fanclub sempre foi uma banda fora de tempo. Enquanto em 1991 o mundo se rendia ao barulho sujo do grunge, os escoceses ousaram lançar Bandwagonesque , um álbum tão luminoso em sua devoção ao power pop que acabou coroado pela revista Spin como o melhor do ano — à frente de Nevermind , do Nirvana, e de Loveless , do My Bloody Valentine. Quatro anos depois, quando a febre do Britpop transformava o Reino Unido numa disputa de egos entre Oasis e Blur, eles voltaram a se colocar na contramão: em julho de 1995, Grand Prix surgiu como um disco de luz, melodias cristalinas e harmonias vocais que evocavam Byrds, Big Star, Beatles e até um quê pastoral dos Beach Boys.   O título, irônico, parecia dizer tudo. Nenhum dos integrantes sabia dirigir um carro, tampouco tinham fascinação por corridas de Fórmula 1. Mas a capa — um bólido de corrida isolado sobre fundo branco — condensava bem a ideia de força, velocidade e clareza que o álbum transmitia. Por trás daqu...

Descivilização (Polygram, 1991), Biquíni Cavadão

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Por Sidney Falcão No início dos anos 1980, quatro colegas de colégio no Rio de Janeiro — Bruno Gouveia, Álvaro Birita, Miguel Flores e André Sheik — resolveram transformar um sarau estudantil em um projeto musical mais ousado. Com guitarras tímidas, teclados baratos e um entusiasmo desproporcional às habilidades técnicas, nascia ali o Biquíni Cavadão. O nome, sugerido por Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, já carregava ironia e descompromisso. A primeira composição, “Tédio”, viria a ser não só a carta de apresentação do grupo, mas também um manifesto de juventude inconformada.   A fita demo caseira, com a música “Tédio” — que contou com Herbert na guitarra — chegou às mãos da Fluminense FM e, de lá, pulou para o imaginário de uma geração. Em 1985, a banda assinou contrato com a Polydor e gravou o compacto que trazia “Tédio” e “No Mundo da Lua”. O primeiro álbum, Cidades em Torrente (1986), emplacou quatro hits e ultrapassou a marca de 60 mil cópias. A Era da Incerteza (1...

Atrás dos Olhos (Excelente/Abril Music, 1998), Capital Inicial

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Por Sidney Falcão   Em 1998, o Capital Inicial atravessava um momento decisivo de sua trajetória. Depois de anos de mudanças na formação, do afastamento do vocalista Dinho Ouro Preto para a carreira solo e de lançamentos pouco marcantes, a banda sentiu a necessidade de reencontrar suas raízes e reafirmar seu papel no rock brasileiro. O álbum Atrás dos Olhos , sétimo de estúdio da banda brasiliense, surgiu como resposta a essa inquietação: um trabalho que misturava energia juvenil, maturidade composicional e um olhar atento para a modernidade sonora do final dos anos 1990. Gravado em Nashville, sob a produção experiente de David Z — conhecido por trabalhos com Prince (1958-2016), Fine Young Cannibals e lendas do blues como Buddy Guy —, o disco se tornou um marco na carreira do Capital, tanto comercial quanto artisticamente.   A reunião da formação original — Dinho Ouro Preto (vocais), Fê Lemos (bateria e violões), Flávio Lemos (baixo) e Loro Jones (guitarra elétrica) — trou...