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Mostrando postagens com o rótulo Folk rock

Blonde On Blonde (Columbia Records, 1966), Bob Dylan

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Por Sidney Falcão Há discos que soam como um instante de revelação; outros, como o próprio colapso do mundo. No caso de Blonde On Blonde , ele é ambos. Este álbum duplo nasceu do exaustivo ciclo que levou Bob Dylan do trovador de café universitário ao profeta elétrico de arenas — uma ascensão tão vertiginosa que só poderia culminar em vertigem. O Dylan que chegou a esse álbum era um homem de vinte e cinco anos, cercado por câmeras, fãs e anfetaminas, recém-casado com Sara Lowndes e arrastado por uma turnê incessante que já o fazia dormir em pé. Um poeta perseguido pela própria claridade.   Blonde on Blonde era o terceiro capítulo de uma trilogia que começara em 1965 com os álbuns Bringing It All Back Home e Highway 61 Revisited : o ciclo elétrico que redefiniu o rock. Se os dois anteriores soavam como um choque entre poesia e corrente alternada, Blonde On Blonde expandia essa colisão para uma escala sinfônica. O primeiro álbum duplo da história do rock não apenas dobrava o t...

Desire (Columbia Records / 1976), Bob Dylan

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Por Sidney Falcão Não se entra em Desire como quem entra em uma sala de estar. O disco é uma tenda cigana, um palco iluminado por tochas em uma estrada poeirenta onde se encenam crimes, lamentos, perseguições e amores irrecuperáveis. Gravado em meio à efervescência da turnê Rolling Thunder Revue e lançado em janeiro de 1976, Desire é mais que um disco de Bob Dylan: é um estado febril. Um delírio musical que funde o jornalismo gonzo com a poesia mística, o cancioneiro popular com o teatro de guerra.   Dylan vinha do desmonte emocional de Blood on the Tracks (1975), um divórcio musicado, um ajuste de contas com a própria alma. Em Desire , a dor continua, mas se projeta para fora. É uma dor que narra, que dramatiza, que recria mitos. Para isso, Dylan se cerca de cúmplices. Jacques Levy (1935-2004), dramaturgo e letrista, entra como parceiro em quase todas as composições. Scarlet Rivera, com seu violino abrasado, traz um exotismo febril que atravessa o disco de ponta a ponta. E...

“Born to Run” (Columbia Records, 1975), Bruce Springsteen

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Por Sidney Falcão   Bruce Springsteen chegou a 1975 com o peso do mundo em seus ombros – ou, pelo menos, do mundo que ainda almejava conquistar. Após dois álbuns bem recebidos pela crítica, mas de desempenho comercial modesto, ele estava sob intensa pressão da gravadora Columbia Records para produzir um hit. Springsteen sabia que sua sobrevivência na indústria dependia do próximo movimento. Foi nesse cenário que Born to Run nasceu, carregando o peso de ser um divisor de águas não apenas para sua carreira, mas também para o rock dos anos 70.   Os Estados Unidos daquele ano eram um terreno fértil para um álbum tão visceral. Em meio à ressaca do escândalo Watergate, à crise do petróleo e à desilusão crescente com o sonho americano, Born to Run capturou a luta por liberdade e redenção em um país fragmentado. Springsteen, com sua narrativa cinematográfica e personagens desesperados por escapar da mediocridade, emergiu como a voz de uma geração ansiosa por algo maior.   A...

“Blood On The Tracks” (Columbia, 1975), Bob Dylan

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Por Sidney Falcão No início da década de 1970, Bob Dylan enfrentava um período de instabilidade criativa e pessoal. Após uma série de álbuns irregulares e uma breve passagem pela gravadora Asylum Records, onde lançou os álbuns Planet Waves e o álbum ao vivo Before the Flood com The Band, ambos em 1974, Dylan parecia distante da inspiração que o consagrou nos anos 1960. Foi logo após a turnê no começo de 1974 com The Band, marcada por uma maratona de shows pela América do Norte, que Dylan começou a enfrentar uma crise pessoal ainda mais profunda: o colapso de seu casamento de anos com sua esposa Sara, mãe de seus quatro filhos. Essa ruptura foi catalisada por um envolvimento extraconjugal com Ellen Bernstein, uma jovem funcionária da Columbia Records, gravadora à qual Dylan retornaria após sua breve estadia na Asylum.   Em meio a essa tempestade emocional, Dylan buscou refúgio na arte, matriculando-se em aulas de pintura com o artista Norman Raeben, que o ajudou a expandir sua ...