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10 discos essenciais – Pós-punk

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Por Sidney Falcão Surgido no final dos anos 1970, o pós-punk foi uma reação à simplicidade crua do punk rock. Em vez de seguir os três acordes da rebeldia, buscou expandir as possibilidades sonoras com experimentações, letras profundas e uma gama ampla de influências. Se o punk gritava revolta, o pós-punk murmurava desilusão, com ritmos fragmentados, guitarras cortantes, baixos inspirados no dub e sintetizadores gélidos.   O gênero surgiu no Reino Unido por volta de 1977–1978, quando bandas como Public Image Ltd. (liderada por John Lydon, ex-Sex Pistols), Magazine e Wire começaram a ultrapassar as limitações estéticas do punk. Mantinham sua energia, mas incorporavam art rock, funk, reggae, música eletrônica e até jazz. Nas letras, predominavam o existencialismo, o intelectualismo e um pessimismo urbano.   Um dos primeiros e mais influentes discos do estilo foi Metal Box (1979), do Public Image Ltd., que desmontava a estrutura do rock com linhas de baixo pesadas e arranjos abs...

Choque (EMI-Odeon, 1985), Kiko Zambianchi

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Por Sidney Falcão   Em meados dos anos 1980, o rock brasileiro parecia ter finalmente conquistado seu passaporte para a modernidade. O Rock in Rio de 1985, marco histórico da juventude urbana, colocou a cena nacional diante das câmeras do mundo e convenceu as gravadoras de que havia mercado para guitarras e sintetizadores cantando rock em português. Mas a vitrine do festival era, sobretudo, carioca. Barão Vermelho, Blitz, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos: todos vinham da capital fluminense. O protesto dos próprios Paralamas pela ausência do Ultraje a Rigor na escalação já mostrava que o próximo capítulo do rock nacional precisaria abrir espaço para outras geografias. E é nesse ponto que São Paulo entra em cena — com Titãs, Ira!, Ultraje e, entre eles, um artista improvável, de timbre delicado e rosto de “bom rapaz”: Francisco José Zambianchi, ou simplesmente Kiko Zambianchi.   Oriundo de Ribeirão Preto, no interior paulista, Kiko trazia uma trajetória distinta da dos roqu...

Lulu (RCA, 1986), Lulu Santos

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Por Sidney Falcão Em 1986, o rock brasileiro, que já vinha se expandindo desde o início da década, alcançava sua maturidade com os discos Cabeça Dinossauro (Titãs), Selvagem? (Paralamas do Sucesso) e Dois (Legião Urbana) — três sucessos de público e crítica, cujas faixas eram bastante executadas nas rádios, na televisão e no imaginário coletivo de uma juventude que queria se ver refletida na música. No meio dessa constelação, Lulu Santos chegava ao seu quinto álbum de estúdio — simplesmente intitulado Lulu . Um título direto, sem rodeios, como se dissesse: “aqui estou eu, inteiro”. A escolha não era gratuita. Lulu vinha de um tropeço com Normal (1985), um álbum que, apesar de bons momentos, foi um fracasso comercial, marcando sua saída da gravadora WEA. Não demorou muito e o rock star carioca assinou contrato com a RCA, trazendo consigo uma bagagem de dúvidas e, ao mesmo tempo, de certezas. Duvidava do rumo que seu pop sofisticado poderia tomar em um mercado cada vez mais comp...

Curiosity (Atlantic Records, 1986), Regina

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Por Sidney Falcão   Há artistas que chegam ao grande público como um relâmpago — súbitos, intensos, aparentemente surgidos do nada. Outros, no entanto, carregam consigo uma trajetória subterrânea, feita de pequenos palcos, salas abafadas de ensaio e gravações improvisadas, cuja densidade raramente é percebida à primeira audição. Regina, pertence, sem dúvida, a esta segunda categoria. Seu álbum Curiosity , lançado em 1986, não é o ponto de partida de sua história, mas o momento em que uma longa gestação criativa encontra, por fim, uma forma audível — ainda que não plenamente compreendida.   Nascida no Brooklyn, em Nova York, em 1961, Regina Marie Cuttita cresceu sob o signo da mistura. Em sua formação musical, conviviam o romantismo coreografado dos grupos femininos dos anos 1960 e a energia elétrica do rock clássico. The Supremes e The Ronettes dividiam espaço com Elvis Presley, The Beatles e Bruce Springsteen — uma constelação aparentemente dispersa, mas que, no imaginári...