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Heavier Things (Aware / Columbia, 2003), John Mayer

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Por Sidney Falcão É possível uma cena de filme influenciar o futuro de uma pessoa? Para o cantor e compositor John Mayer, foi exatamente isso o que aconteceu. Aos 13 anos, ao ver Michael J. Fox encenar o solo de “Johnny B. Goode” no filme De Volta para o Futuro , Mayer decidiu o que queria ser profissionalmente: guitarrista.   Filho de um diretor escolar e de uma professora de inglês, John Mayer nasceu em 16 de outubro de 1977, em Bridgeport, Connecticut, mas cresceu na vizinha Fairfield. Até aquela cena do filme, a guitarra elétrica era um mistério para o garoto; a partir dali, tornou-se obsessão. Não demorou para que seu pai alugasse uma guitarra, e Mayer passou a dedicar horas aprendendo acordes e dedilhados. O presente de um vizinho — uma fita de Stevie Ray Vaughan — fez o jovem mergulhar no blues, iniciando uma “caçada genealógica” que o levou a Buddy Guy, B.B. King, Freddie King, Albert King e Jimi Hendrix.   Após breve passagem pela Berklee College of Music, em Bo...

Entradas e Bandeiras (Som Livre, 1976), Rita Lee & Tutti Frutti

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Por Sidney Falcão   Entre o impacto avassalador de Fruto Proibido (1975) e a virada pop/funk de Babilônia (1978), Rita Lee atravessou 1976 como quem caminha sobre um terreno instável: grávida, perseguida pela ditadura, cansada de turnês intermináveis e ainda assim determinada a não ceder um milímetro de sua liberdade criativa. Entradas e Bandeiras , lançado em julho daquele ano pela Som Livre, não foi apenas mais um álbum de continuidade — foi o testemunho de uma artista que, mesmo acuada, insistia em cantar alto, transformar as cicatrizes do tempo em canções e manter viva a fagulha roqueira de sua parceria com a Tutti Frutti.   O disco nasceu no Estúdio Eldorado, em São Paulo, sob produção de Wagner Baldinato, em meio a tensões internas e ao desgaste físico da própria Rita. A Tutti Frutti já não era a mesma formação estável do início: Sérgio Della Monica entrava na bateria substituindo Franklin Paolillo, e as idas e vindas de músicos refletiam a atmosfera de um grupo em...

10 discos essenciais: Alceu Valença

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Por Sidney Falcão Sob o sol alto do agreste pernambucano, entre o cheiro da terra quente e o canto dos violeiros de feira, nasceu naquele 1º de julho de 1946 um menino de olhar luminoso e ouvido inquieto: Alceu Paiva Valença. Filho de São Bento do Una, cresceu entre aboios, versos de cordel e sanfonas que pareciam conversar com o vento. Era um Brasil arcaico, de narrativas orais e ritmo de feira, onde os poetas anônimos faziam da cantoria um ato de resistência. Dessa paisagem de cores secas e imaginação fértil nasceria um artista destinado a reencantar o Nordeste com a força elétrica do seu próprio som. A música entrou na vida de Alceu antes mesmo que ele soubesse nomeá-la. Em casa, o avô, Orestes Alves Valença, era poeta e violeiro — um dos primeiros a lhe mostrar que a palavra podia dançar. Nas feiras, escutava Jackson do Pandeiro(1919-1982), Luiz Gonzaga (1912-1989) e Marinês (1934-2007), ecos fundadores de uma tradição que o moldaria. Quando, aos dez anos, mudou-se para o Recif...