Curiosity (Atlantic Records, 1986), Regina
Por Sidney Falcão Há artistas que chegam ao grande público como um relâmpago — súbitos, intensos, aparentemente surgidos do nada. Outros, no entanto, carregam consigo uma trajetória subterrânea, feita de pequenos palcos, salas abafadas de ensaio e gravações improvisadas, cuja densidade raramente é percebida à primeira audição. Regina, pertence, sem dúvida, a esta segunda categoria. Seu álbum Curiosity , lançado em 1986, não é o ponto de partida de sua história, mas o momento em que uma longa gestação criativa encontra, por fim, uma forma audível — ainda que não plenamente compreendida. Nascida no Brooklyn, em Nova York, em 1961, Regina Marie Cuttita cresceu sob o signo da mistura. Em sua formação musical, conviviam o romantismo coreografado dos grupos femininos dos anos 1960 e a energia elétrica do rock clássico. The Supremes e The Ronettes dividiam espaço com Elvis Presley, The Beatles e Bruce Springsteen — uma constelação aparentemente dispersa, mas que, no imaginári...