The Head On The Door (Fiction Records, 1985), The Cure
Por Sidney Falcão Em 1985, Robert Smith abriu uma porta que até então parecia trancada por dentro. Do outro lado não havia exatamente luz plena — seria pedir demais de The Cure —, mas cores, movimento, ritmo e uma curiosa sensação de alívio. The Head On The Door , sexto álbum da banda inglesa, nasce como um gesto de sobrevivência artística: depois de levar o pós-punk ao limite da asfixia emocional na chamada “trilogia sombria” ( Seventeen Seconds (1980), Faith (1981)e Pornography (1982)), Smith percebeu que insistir naquele caminho seria menos um aprofundamento estético e mais uma autodestruição lenta. Era preciso mudar. Respirar. E, por que não, flertar com o pop. Essa guinada não surge do nada. Entre 1982 e 1984, The Cure experimentou uma fase curiosamente errática, porém libertadora. Singles como “Let’s Go to Bed”, “The Walk” e “The Lovecats” — reunidos depois em Japanese Whispers — funcionaram como pequenos laboratórios de humor, groove e ironia. Eram cançõe...