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The Head On The Door (Fiction Records, 1985), The Cure

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Por Sidney Falcão   Em 1985, Robert Smith abriu uma porta que até então parecia trancada por dentro. Do outro lado não havia exatamente luz plena — seria pedir demais de The Cure —, mas cores, movimento, ritmo e uma curiosa sensação de alívio. The Head On The Door , sexto álbum da banda inglesa, nasce como um gesto de sobrevivência artística: depois de levar o pós-punk ao limite da asfixia emocional na chamada “trilogia sombria” ( Seventeen Seconds (1980), Faith  (1981)e Pornography (1982)), Smith percebeu que insistir naquele caminho seria menos um aprofundamento estético e mais uma autodestruição lenta. Era preciso mudar. Respirar. E, por que não, flertar com o pop.   Essa guinada não surge do nada. Entre 1982 e 1984, The Cure experimentou uma fase curiosamente errática, porém libertadora. Singles como “Let’s Go to Bed”, “The Walk” e “The Lovecats” — reunidos depois em Japanese Whispers — funcionaram como pequenos laboratórios de humor, groove e ironia. Eram cançõe...

Stone Flower (CTI Records, 1970), Tom Jobim

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Por Sidney Falcão   No início da década de 1970, Antônio Carlos Jobim (1927-1994), ou simplesmente Tom Jobim, já não pertencia apenas ao Brasil. Depois de ter revolucionado a música popular com João Gilberto (1931-2019) e Vinicius de Moraes (1913-1980), e de ter conquistado o público norte-americano ao lado de Stan Getz (1927-1991) e Astrud Gilberto (1940-2023), o maestro carioca tornara-se uma entidade cosmopolita, dividido entre a mata e o arranha-céu, entre o canto do sabiá e o ruído das ruas de Nova York. Quando grava Stone Flower , em 1970, ele está imerso nessa dualidade. Mora parte do tempo nos Estados Unidos, onde encontra o clima ideal para aprofundar sua pesquisa sonora sob a tutela de Creed Taylor (1929-2022) — o produtor da CTI Records, selo que transformaria a sofisticação da bossa nova em uma nova forma de jazz de câmara tropical.   É um disco feito à meia-luz, moldado na penumbra dos estúdios da Van Gelder, em Nova Jersey, sob o ouvido clínico do engenheiro ...

10 discos essenciais: Jorge Ben Jor

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Por Sidney Falcão Uma das figuras mais emblemáticas e inovadoras da música brasileira, Jorge Ben, também conhecido como Jorge Ben Jor, nasceu em 22 de março de 1939, no Rio de Janeiro, tendo como nome de batismo Jorge Duílio Lima Menezes. Sua obra rompeu barreiras estilísticas e foi além dos rótulos. Enquanto movimentos como a bossa nova, a jovem guarda e a tropicália definiam linhas estéticas claras, Jorge Ben Jor trilhou um caminho único, consolidando-se como o grande mestre do samba-rock — um subgênero vibrante que mescla a cadência do samba à energia do rock and roll, com uma boa dose de ritmos afro-brasileiros.   O que separa Jorge Ben Jor de seus contemporâneos é sua capacidade de criar uma sonoridade inconfundível, fruto da combinação entre sua batida percussiva no violão e letras que transitam entre temas como negritude, espiritualidade, mulheres e futebol. Suas composições são carregadas de um balanço irresistível, mas também carregam uma sofisticação harmônica que ref...

O Erê (Epic Records, 1996), Cidade Negra

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Por Sidney Falcão Em 1996, o Cidade Negra alcançava um ponto de virada. O reggae, até então um território alternativo na música brasileira, já não era mais visto como curiosidade exótica ou “som de nicho”. Com o sucesso de SobreTodas as Forças (1994), o grupo carioca tinha levado as vibrações jamaicanas às rádios, aos programas de TV, aos grandes palcos. O Brasil inteiro passou a cantar “A Sombra da Maldade” e “Onde Você Mora?”. Agora, com O Erê , a banda não buscava mais provar nada. Queria apenas expandir — o som, as ideias, o horizonte, as vibrações positivas.   O Erê , palavra de origem iorubá que significa “criança”, nascia como um álbum de celebração e amadurecimento. A criança do título é símbolo de pureza, mas também de continuidade — o futuro que cresce à sombra de uma herança cultural negra e mestiça. O clima familiar atravessa o disco, do conceito à sonoridade. Havia ali um espírito comunitário, de banda que não mais precisava correr atrás do sucesso, mas sim administ...