Skank (Chaos/1993), Skank
Por Sidney Falcão No início dos anos 1990, o Brasil vivia um cenário musical curioso. As grandes gravadoras, fragilizadas pela crise econômica do país e pouco dispostas a arriscar em nomes novos, deixavam uma lacuna que os selos independentes tentavam ocupar com ousadia. Em Belo Horizonte, Minas Gerais, a cena era fértil: Sepultura já havia levado o metal mineiro para o mundo, e outros grupos experimentavam formatos distintos. Foi nesse caldo que surgiu o Skank, um quarteto que ousava propor algo inédito — transportar o calor do reggae e do ska jamaicanos para dentro da tradição pop brasileira, filtrando tudo por um espíri to dançante, irreverente e ao mesmo tempo sofisticado. A estreia homônima do grupo, lançada de forma independente em 1992, não foi apenas um disco: foi um manifesto de fé no próprio som, um salto no escuro que acabaria redefinindo os rumos do pop nacional. Antes da estreia em disco, é preciso voltar ao início da trajetória do Skank. Em 1983, Samuel Rosa...