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O Erê (Epic Records, 1996), Cidade Negra

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Por Sidney Falcão Em 1996, o Cidade Negra alcançava um ponto de virada. O reggae, até então um território alternativo na música brasileira, já não era mais visto como curiosidade exótica ou “som de nicho”. Com o sucesso de SobreTodas as Forças (1994), o grupo carioca tinha levado as vibrações jamaicanas às rádios, aos programas de TV, aos grandes palcos. O Brasil inteiro passou a cantar “A Sombra da Maldade” e “Onde Você Mora?”. Agora, com O Erê , a banda não buscava mais provar nada. Queria apenas expandir — o som, as ideias, o horizonte, as vibrações positivas.   O Erê , palavra de origem iorubá que significa “criança”, nascia como um álbum de celebração e amadurecimento. A criança do título é símbolo de pureza, mas também de continuidade — o futuro que cresce à sombra de uma herança cultural negra e mestiça. O clima familiar atravessa o disco, do conceito à sonoridade. Havia ali um espírito comunitário, de banda que não mais precisava correr atrás do sucesso, mas sim administ...

Rádio Pirata ao Vivo (Epic, 1986), RPM

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Por Sidney Falcão Em 1985, o Brasil ainda tateava sua recém-conquistada liberdade. O álbum de estreia, Revoluções por Minuto , lançado em maio daquele ano, já havia estabelecido o RPM como a ponta de lança de uma modernidade sombria e dançante. Mas foi o encontro com o empresário Manoel Poladian que mudou as regras do jogo. Poladian, acostumado ao gigantismo de Roberto Carlos, não queria apenas uma banda de danceteria; ele projetou um espetáculo de arena. A infraestrutura era imperial: carretas, cenários móveis e uma equipe de 27 pessoas. Paulo Ricardo definiu o momento como o "Plano Real do rock brasileiro", uma tentativa deliberada de entrar no primeiro mundo estético, equiparando o RPM a titãs como o Genesis. Sob a direção artística de Ney Matogrosso, o show tornou-se uma experiência audiovisual cyberpunk inspirada em Blade Runner , onde o gelo seco e os tons gélidos de azul e branco criavam uma aura de frieza sensual e ineditismo. O álbum não foi planejado como um p...

Colour by Numbers (Virgin Records, 1983), Culture Club

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Por Sidney Falcão Nos primeiros anos da década de 1980, a música pop britânica viveu um de seus momentos mais ricos e visualmente impactantes. Com o advento no movimento new romantic, a rebeldia do punk dava lugar à exuberância das cores, dos sintetizadores e da androginia. Foi neste cenário que surgiu o Culture Club, uma banda que parecia ter saído diretamente de um desfile performático e multicultural. Seu vocalista, Boy George — nascido George O'Dowd —, tornou-se um ícone instantâneo, não apenas por sua imagem ousada, mas por sua voz quente, de acento soul, e por sua capacidade de sintetizar estilos diversos num pop cativante e sofisticado.   O embrião do Culture Club nasceu em 1981, quando Boy George, frequentador assíduo do Blitz Club — ponto de encontro da efervescente cena new romantic de Londres —, chegou a cantar ocasionalmente com o Bow Wow Wow, sob o pseudônimo Lieutenant Lush. A parceria, no entanto, foi curta. A ruptura deu origem a um novo projeto idealizado pelo ...

Duran Duran (EMI, 1981), Duran Duran

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Por Sidney Falcão   No início da década de 1980, a paisagem musical britânica encontrava-se em ebulição. A ressaca do punk , a sofisticação do art-rock e os primeiros lampejos da revolução eletrônica geraram um caldeirão de possibilidades estéticas. Foi nesse ambiente que cinco jovens de Birmingham – Nick Rhodes, John Taylor, Roger Taylor, Andy Taylor e Simon Le Bon – lançaram, em 15 de junho de 1981, seu álbum de estreia. Intitulado simplesmente Duran Duran , o disco não apenas revelou uma nova banda, mas marcou o surgimento de uma linguagem visual e sonora que viria a definir uma geração.   A história do Duran Duran começa em Birmingham, Inglaterra, em 1978, quando os amigos de infância John Taylor e Nick Rhodes, juntamente com Stephen Duffy, formaram a banda inspirados por artistas como David Bowie, Roxy Music, Chic e Kraftwerk. Rhodes assumiu o sintetizador, Duffy o baixo e John Taylor assumia a guitarra. Pouco depois, entrou Simon Colley revezando no baixo e clarinet...