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Zé Ramalho (CBS,1978), Zé Ramalho

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Por Sidney Falcão Simplesmente batizado de Zé Ramalho e lançado em 1978 pela Epic/CBS, o primeiro e homônimo disco solo do cantor e compositor paraibano surgiu quando o artista ainda era uma espécie de corpo estranho no mercado musical brasileiro. Tinha vindo da Paraíba, carregava na bagagem a tradição dos repentistas e violeiros, mas também o rock, Bob Dylan, Beatles, Jovem Guarda e a psicodelia. Trazia músicas que pareciam vindas de uma geografia própria — “Avôhai”, “Vila do Sossego”, “Chão de Giz” — e que, para muitos executivos de gravadoras, simplesmente não pareciam comercialmente viáveis.   O paradoxo é bonito: aquilo que inicialmente dificultava sua entrada no mercado seria justamente o que faria de Zé Ramalho uma figura singular.  Quase tudo começa antes do disco.   José Ramalho Neto nasceu em Brejo do Cruz, no sertão da Paraíba, em 3 de outubro de 1949. A morte precoce do pai, afogado quando Zé tinha apenas três anos, fez com que ele fosse criado pelo avô...

Jota Quest (Sony Music, 1996), Jota Quest

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Por Sidney Falcão   Nos anos 1990, Minas Gerais assistiu ao surgimento de uma cena pop vibrante, que atualizou a tradição musical do estado com novos artistas e ritmos. De Belo Horizonte, bandas como Skank, Pato Fu, Tianastácia, Virna Lise, entre outras, romperam fronteiras regionais ao misturar rock, reggae, funk, pop e música eletrônica. Com profissionalismo e identidade própria, transformaram o pop mineiro em um fenômeno nacional. Foi nesse terreno fértil que a banda Jota Quest se firmaria, fazendo parte daquela geração tão criativa e tornando-se um de seus mais importantes e bem-sucedidos expoentes.   A trajetória do Jota Quest começou em 1993, quando PJ, baixista, e Paulinho Fonseca, baterista — que partilhavam a paixão por grooves sincopados, linhas de baixo marcantes e a liberdade rítmica do acid jazz e da black music dos anos 1970 — decidiram montar uma banda. Aos dois se juntaram o guitarrista Marco Túlio Lara e o tecladista Márcio Buzelin. Faltava apenas uma peça...

The Head On The Door (Fiction Records, 1985), The Cure

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Por Sidney Falcão   Em 1985, Robert Smith abriu uma porta que até então parecia trancada por dentro. Do outro lado não havia exatamente luz plena — seria pedir demais de The Cure —, mas cores, movimento, ritmo e uma curiosa sensação de alívio. The Head On The Door , sexto álbum da banda inglesa, nasce como um gesto de sobrevivência artística: depois de levar o pós-punk ao limite da asfixia emocional na chamada “trilogia sombria” ( Seventeen Seconds (1980), Faith  (1981)e Pornography (1982)), Smith percebeu que insistir naquele caminho seria menos um aprofundamento estético e mais uma autodestruição lenta. Era preciso mudar. Respirar. E, por que não, flertar com o pop.   Essa guinada não surge do nada. Entre 1982 e 1984, The Cure experimentou uma fase curiosamente errática, porém libertadora. Singles como “Let’s Go to Bed”, “The Walk” e “The Lovecats” — reunidos depois em Japanese Whispers — funcionaram como pequenos laboratórios de humor, groove e ironia. Eram cançõe...

Stone Flower (CTI Records, 1970), Tom Jobim

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Por Sidney Falcão   No início da década de 1970, Antônio Carlos Jobim (1927-1994), ou simplesmente Tom Jobim, já não pertencia apenas ao Brasil. Depois de ter revolucionado a música popular com João Gilberto (1931-2019) e Vinicius de Moraes (1913-1980), e de ter conquistado o público norte-americano ao lado de Stan Getz (1927-1991) e Astrud Gilberto (1940-2023), o maestro carioca tornara-se uma entidade cosmopolita, dividido entre a mata e o arranha-céu, entre o canto do sabiá e o ruído das ruas de Nova York. Quando grava Stone Flower , em 1970, ele está imerso nessa dualidade. Mora parte do tempo nos Estados Unidos, onde encontra o clima ideal para aprofundar sua pesquisa sonora sob a tutela de Creed Taylor (1929-2022) — o produtor da CTI Records, selo que transformaria a sofisticação da bossa nova em uma nova forma de jazz de câmara tropical.   É um disco feito à meia-luz, moldado na penumbra dos estúdios da Van Gelder, em Nova Jersey, sob o ouvido clínico do engenheiro ...