Lulu (RCA, 1986), Lulu Santos
Por Sidney Falcão Em 1986, o rock brasileiro, que já vinha se expandindo desde o início da década, alcançava sua maturidade com os discos Cabeça Dinossauro (Titãs), Selvagem? (Paralamas do Sucesso) e Dois (Legião Urbana) — três sucessos de público e crítica, cujas faixas eram bastante executadas nas rádios, na televisão e no imaginário coletivo de uma juventude que queria se ver refletida na música. No meio dessa constelação, Lulu Santos chegava ao seu quinto álbum de estúdio — simplesmente intitulado Lulu . Um título direto, sem rodeios, como se dissesse: “aqui estou eu, inteiro”. A escolha não era gratuita. Lulu vinha de um tropeço com Normal (1985), um álbum que, apesar de bons momentos, foi um fracasso comercial, marcando sua saída da gravadora WEA. Não demorou muito e o rock star carioca assinou contrato com a RCA, trazendo consigo uma bagagem de dúvidas e, ao mesmo tempo, de certezas. Duvidava do rumo que seu pop sofisticado poderia tomar em um mercado cada vez mais comp...