O Erê (Epic Records, 1996), Cidade Negra
Por Sidney Falcão Em 1996, o Cidade Negra alcançava um ponto de virada. O reggae, até então um território alternativo na música brasileira, já não era mais visto como curiosidade exótica ou “som de nicho”. Com o sucesso de SobreTodas as Forças (1994), o grupo carioca tinha levado as vibrações jamaicanas às rádios, aos programas de TV, aos grandes palcos. O Brasil inteiro passou a cantar “A Sombra da Maldade” e “Onde Você Mora?”. Agora, com O Erê , a banda não buscava mais provar nada. Queria apenas expandir — o som, as ideias, o horizonte, as vibrações positivas. O Erê , palavra de origem iorubá que significa “criança”, nascia como um álbum de celebração e amadurecimento. A criança do título é símbolo de pureza, mas também de continuidade — o futuro que cresce à sombra de uma herança cultural negra e mestiça. O clima familiar atravessa o disco, do conceito à sonoridade. Havia ali um espírito comunitário, de banda que não mais precisava correr atrás do sucesso, mas sim administ...