Doces Bárbaros (Philips, 1976), Doces Bárbaros
Por Sidney Falcão O ano era 1976. O Brasil ainda respirava sob a névoa pesada da ditadura militar, mas, nos palcos e estúdios, a energia da contracultura e a explosão da MPB procuravam fissuras para manifestar sua liberdade. É nesse contexto de tensão e efervescência que surge um projeto que transcenderia o formato de um simples álbum ou turnê, tornando-se um marco mítico na música brasileira: Doces Bárbaros. A reunião de Maria Bethânia, Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso não foi apenas um supergrupo — foi a convergência de quatro ícones que, após dez anos de carreiras individuais c onsolidadas, decidiram deixar seus caminhos distintos de lado para formar um novo grupo musical. A proposta era criar um espetáculo que misturasse a alma do regionalismo baiano com a inovação hippie e a liberdade existencial. O resultado foi o álbum duplo Doces Bárbaros – Ao Vivo , um documento sonoro imperfeito, mas eternamente potente, de um momento singular da cultura nacional. O proje...