Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Rock alternativo

Grand Prix (Creation / DGC, 1995), Teenage Fanclub

Imagem
Por Sidney Falcão O Teenage Fanclub sempre foi uma banda fora de tempo. Enquanto em 1991 o mundo se rendia ao barulho sujo do grunge, os escoceses ousaram lançar Bandwagonesque , um álbum tão luminoso em sua devoção ao power pop que acabou coroado pela revista Spin como o melhor do ano — à frente de Nevermind , do Nirvana, e de Loveless , do My Bloody Valentine. Quatro anos depois, quando a febre do Britpop transformava o Reino Unido numa disputa de egos entre Oasis e Blur, eles voltaram a se colocar na contramão: em julho de 1995, Grand Prix surgiu como um disco de luz, melodias cristalinas e harmonias vocais que evocavam Byrds, Big Star, Beatles e até um quê pastoral dos Beach Boys.   O título, irônico, parecia dizer tudo. Nenhum dos integrantes sabia dirigir um carro, tampouco tinham fascinação por corridas de Fórmula 1. Mas a capa — um bólido de corrida isolado sobre fundo branco — condensava bem a ideia de força, velocidade e clareza que o álbum transmitia. Por trás daqu...

Out Of Time (Warner, 1991), R.E.M.

Imagem
Por Sidney Falcão Após a extensa turnê do álbum Green (1988), os integrantes do R.E.M. decidiram se afastar temporariamente da estrada para se dedicar à composição e gravação de um novo disco. Essa pausa permitiu que a banda expandisse seu vocabulário musical, afastando-se do jangle pop característico de seus primeiros trabalhos e incorporando arranjos mais sofisticados, com cordas, bandolim e instrumentos pouco usuais no rock alternativo. O resultado foi Out of Time , um álbum que desafiava categorizações e ampliava o espectro sonoro do grupo.   O processo de gravação foi marcado por uma abordagem colaborativa e experimental. Os integrantes trocaram de instrumentos: Mike Mills assumiu os teclados, Bill Berry migrou para o baixo e Peter Buck se aprofundou no bandolim e em outras texturas acústicas. Além disso, o R.E.M. contou com participações especiais nas gravações, como Kate Pierson, do B-52's, e o rapper KRS-One. Essa abertura a novas influências resultou em um som mais di...

Stories From The City, Stories From The Sea (Island Records, 2000), PJ Harvey

Imagem
Por Sidney Falcão   Nascida na zona rural de Dorset, na Inglaterra, Polly Jean Harvey, ou simplesmente PJ Harvey, sempre fez do desconforto um motor criativo. Nos anos 1990, com os álbuns  Dry  (1992),  Rid Of Me  (1993) e  To Bring You My Love  (1995), ela esculpiu um universo sonoro tenso e visceral, onde letras carregadas de dor e isolamento se misturavam a arranjos minimalistas e uma estética sombria. Mas eis que, em  Stories From The City, Stories From The Sea , seu quinto álbum, PJ Harvey dá uma guinada. O disco não abandona totalmente os temas sombrios, mas adota um tom mais melódico e expansivo – um raro momento de respiro em sua discografia.   A mudança de ares foi determinante nessa guinada. Harvey passou um tempo em Nova York, e a cidade pulsante deixou marcas profundas em sua música. O caos vibrante da metrópole contrastava com as paisagens bucólicas de Dorset, onde ela cresceu e ainda mantém raízes. Esse embate entre concreto e n...

Horses (Arista Records, 1975), Patti Smith

Imagem
Por Sidney Falcão Lançado em 10 de novembro de 1975, Horses  não é apenas um álbum de estreia — é um manifesto. Patti Smith emergia da efervescente cena underground nova-iorquina como uma poeta rebelde, que enxergava o rock não apenas como entretenimento, mas como expressão artística visceral. O disco, com sua fusão de poesia beat, proto-punk e um espírito libertário, não apenas antecipou o punk , mas redefiniu os limites do que a música poderia ser.   A metade da década de 1970 testemunhava um rock grandioso, dominado por excessos progressivos e o brilho polido da disco music . Paralelamente, nas ruas de Nova York e Londres, crescia um movimento insurgente, que pregava a simplicidade, a urgência e a subversão: o punk. Horses não soava como os futuros clássicos do gênero, mas já continha sua atitude e sua fúria crua.   Antes de gravar o álbum, Patti Smith já era um nome respeitado no meio artístico, transitando entre poesia, teatro e música. Seus recitais no CBGB, ...

“Anacrônico” (Deckdisc, 2005), Pitty

Imagem
Por Sidney Falcão No horizonte da carreira de Pitty, Anacrônico surge como uma transição ousada e necessária. Após o estrondoso sucesso de Admirável Chip Novo (2003), que a consagrou como uma das principais vozes do rock brasileiro contemporâneo, o segundo álbum de estúdio da cantora baiana carrega a responsabilidade de dar continuidade a um legado recém-construído, mas já profundamente impactante. Enquanto o primeiro disco mergulhava em críticas sociais e sonoridades vigorosas, Anacrônico reflete um amadurecimento artístico e emocional, evidenciado tanto nas letras introspectivas quanto na experimentação musical.   Composto em um momento de transição cultural e musical no Brasil, o álbum não só reafirma a relevância do rock nacional, mas também dialoga com novas influências e tendências. Ao equilibrar agressividade e delicadeza, Pitty se distancia de fórmulas fáceis, criando uma obra que convida o ouvinte a revisitar suas próprias contradições. Assim, Anacrônico consolida ...