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Presence (Swan Song Records, 1976), Led Zeppelin

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Por Sidney Falcão   No verão europeu de 1975, o destino parecia ter decidido testar os limites do Led Zeppelin. Robert Plant e sua família sofreram um grave acidente de carro em Rodes, na Grécia, no começo de agosto daquele ano, deixando o vocalista com o tornozelo seriamente lesionado e sua esposa Maureen à beira da morte. Para uma banda no auge do poder comercial e criativo, isso significava a suspensão da turnê planejada, e o isolamento forçado impôs uma pressão inédita sobre todos os integrantes. Entre hospitais e casas de recuperação em Jersey e Malibu, Plant escreveu letras de forma compulsiva, como quem transforma dor em matéria-prima sonora. Jimmy Page, por sua vez, assumiu o controle da produção com uma intensidade obsessiva, moldando Presence em apenas dezoito dias de gravação intensiva no Musicland Studios, em Munique, antes que os Rolling Stones ocupassem o estúdio para Black and Blue .   O resultado é um álbum abrupto, concentrado, quase brutal em sua economi...

Curiosity (Atlantic Records, 1986), Regina

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Por Sidney Falcão   Há artistas que chegam ao grande público como um relâmpago — súbitos, intensos, aparentemente surgidos do nada. Outros, no entanto, carregam consigo uma trajetória subterrânea, feita de pequenos palcos, salas abafadas de ensaio e gravações improvisadas, cuja densidade raramente é percebida à primeira audição. Regina, pertence, sem dúvida, a esta segunda categoria. Seu álbum Curiosity , lançado em 1986, não é o ponto de partida de sua história, mas o momento em que uma longa gestação criativa encontra, por fim, uma forma audível — ainda que não plenamente compreendida.   Nascida no Brooklyn, em Nova York, em 1961, Regina Marie Cuttita cresceu sob o signo da mistura. Em sua formação musical, conviviam o romantismo coreografado dos grupos femininos dos anos 1960 e a energia elétrica do rock clássico. The Supremes e The Ronettes dividiam espaço com Elvis Presley, The Beatles e Bruce Springsteen — uma constelação aparentemente dispersa, mas que, no imaginári...

Atrás dos Olhos (Excelente/Abril Music, 1998), Capital Inicial

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Por Sidney Falcão   Em 1998, o Capital Inicial atravessava um momento decisivo de sua trajetória. Depois de anos de mudanças na formação, do afastamento do vocalista Dinho Ouro Preto para a carreira solo e de lançamentos pouco marcantes, a banda sentiu a necessidade de reencontrar suas raízes e reafirmar seu papel no rock brasileiro. O álbum Atrás dos Olhos , sétimo de estúdio da banda brasiliense, surgiu como resposta a essa inquietação: um trabalho que misturava energia juvenil, maturidade composicional e um olhar atento para a modernidade sonora do final dos anos 1990. Gravado em Nashville, sob a produção experiente de David Z — conhecido por trabalhos com Prince (1958-2016), Fine Young Cannibals e lendas do blues como Buddy Guy —, o disco se tornou um marco na carreira do Capital, tanto comercial quanto artisticamente.   A reunião da formação original — Dinho Ouro Preto (vocais), Fê Lemos (bateria e violões), Flávio Lemos (baixo) e Loro Jones (guitarra elétrica) — trou...

Destroyer (Casablanca Records, 1976), Kiss

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Por Sidney Falcão   Há álbuns que não apenas marcam uma banda, mas definem a sua sobrevivência. Em março de 1976, o Kiss lançou Destroyer , quarto trabalho de estúdio e a obra que separou o grupo de ser apenas um fenômeno de palco para se tornar, de fato, um gigante da indústria fonográfica. Não foi um caminho sem tropeços: a crítica o desprezou, parte dos fãs torceu o nariz, e a própria banda entrou em choque com seu produtor. Mas é justamente desse atrito que nasce a força deste disco — um artefato sonoro que funde espetáculo e disciplina, grandiloquência e crueza, ingenuidade e ambição.   Até 1975, o Kiss vivia de sua reputação incendiária ao vivo. Os três primeiros álbuns ( Kiss e Hotter than Hell , ambos de 1974, e Dressed to Kill , de 1975) não venderam como o esperado, e foi só com Alive! — o registro ao vivo que capturou a eletricidade da banda no palco — que o grupo se transformou em sensação nacional. O sucesso foi tamanho que salvou a Casablanca Records, seu ...