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Mostrando postagens com o rótulo Forró

Danado de Bom (RCA,1984), Luiz Gonzaga

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Por Sidney Falcão Nos primeiros anos da década de 1980, Luiz Gonzaga parecia condenado a viver apenas da memória. O artista que, nos anos 1940 e 1950, havia monopolizado as prensas da RCA e era capaz de transformar a sanfona em emblema nacional, via-se reduzido a um circuito regional, tocando quase sempre para plateias nordestinas. O mercado fonográfico estava saturado de pop internacional, a MPB urbana dominava o gosto das gravadoras, e até os forrós de raiz cediam espaço a arranjos diluídos e guitarras envernizadas que soavam estranhas ao velho baião. A situação era dramática: há quatro anos Gonzaga dava prejuízo à RCA, e seu nome figurava na lista de artistas prestes a serem dispensados. Foi nesse momento que surgiu a figura de Oséas Lopes, ex-Trio Mossoró, então produtor da gravadora. Lopes acreditava que Gonzaga ainda tinha uma voz poderosa a oferecer, mas que precisava ser resgatada em sua pureza, sem os disfarces de modernização. Assumindo a produção do novo disco, prometeu ...

“A História Do Nordeste Na Voz De Luiz Gonzaga” (RCA Victor, 1955), Luiz Gonzaga

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Por Sidney Falcão   Até meados dos anos 1950, Luiz Gonzaga (1912-1989) vivia o auge de sua carreira artística, consolidando-se como o "Rei do Baião". Após o sucesso inicial no Rio de Janeiro, ele popularizou o baião, um gênero musical que até meados dos anos 1940, era pouco conhecido fora do Nordeste. O marco foi o lançamento da música "Baião", em parceria com Humberto Teixeira (1915-1979), em 1946, que abriu caminho para uma série de sucessos, como "Asa Branca" (1947) — sua canção mais emblemática — e outras, como "Juazeiro" e "Qui Nem Jiló".   A partir daí, Gonzaga tornou-se um fenômeno de vendas e uma presença constante nas rádios e nos palcos de todo o Brasil, com sua sanfona, seu chapéu de couro e suas vestimentas típicas do sertão. Durante os anos 1950, ele expandiu seu repertório, misturando baião, xote e xaxado em músicas que exaltavam a cultura nordestina e davam voz às dificuldades do sertanejo, em plena era de ouro do rád...

“Quem Me Levará Sou Eu” (RCA,1980), Dominguinhos

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Por Sidney Falcão José Domingos de Morais, ou como o mundo o conhecia, Dominguinhos (1941-2013), foi uma peça fundamental na construção do que se pode chamar de tríade sagrada da sanfona nordestina, ao lado de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Sivuca (1930-2006). Seus acordes não só moldaram gerações de sanfoneiros, mas também delinearam um padrão único de tocar acordeom no Brasil, rivalizando até mesmo com a escola gaúcha. Apesar de ser um dos principais expoentes do forró, Dominguinhos foi muito além desse gênero. Sua música era uma mescla de influências que transitavam do choro ao jazz, do blues ao forró tradicional. Essa versatilidade o tornou um músico requisitado, tanto em turnês quanto em estúdios de gravação, acompanhando uma gama diversificada de artistas, incluindo Gilberto Gil, Gal Costa (1945-2022), Elba Ramalho, Maria Bethânia, Chico Buarque e Roberto Carlos. Todo esse caldeirão musical transbordou em seus discos, e um exemplo marcante é Quem Me Levará Sou Eu , lançado em 1...

“O Cachimbo da Mulher” (Copacabana, 1981), Zenilton

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Por Sidney Falcão Entre meados dos anos 1970 e toda a década de 1980, o forró de duplo sentido viveu o seu auge. Os forrós de letras recheadas de cacofonias e trocadilhos que sugeriam uma sutil (e às vezes quase explícita) conotação sexual tiveram um grande apelo popular e alavancaram a carreira de artistas que se tornaram grande expoentes do estilo como Genival Lacerda (1931-2021), Sandro Becker e Clemilda (1936-2014). Mas é impossível falar em forró de duplo sentido sem mencionar o nome do cantor e sanfoneiro pernambucano Zenilton, um dos maiores ícones do forró de duplo sentido, e que ao longo de sua carreira, emplacou inúmeros sucessos que se tornaram clássicos do estilo. Ao contrário do que se possa imaginar, Zenilton percorreu um longo caminho até chegar aos forrós maliciosos que o tornaram famoso. José Nilton Veras nasceu em 14 de fevereiro de 1939, em Afogados de Ingazeiras, interior de Pernambuco, mas foi criado em Salgueiro, também no mesmo estado. Filho de pai dentista...

“Os Rouxinhos da Bahia” (Copacabana, 1978), Trio Nordestino

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Por Sidney Falcão Musicalmente, Salvador é conhecida com a cidade da música dos trios elétricos, do samba-reggae, do afoxé e dos mais variados ritmos derivados da cultura africana. Porém, quem poderia imaginar que o Trio Nordestino, um dos mais icônicos nomes da história do forró nasceu na capital baiana? Alguém poderia jurar que o trio forrozeiro, formado em 1958 por Lindolfo Barbosa, José Pedro Cerqueira e Evaldo Santos, mais conhecidos respectivamente como Lindú (voz e sanfona), Cobrinha (triângulo) e Coroné (zabumba), surgiu em alguma cidadezinha do sertão nordestino. Muito pelo contrário, o trio foi formado em Salvador, cidade grande e litorânea. E as primeiras apresentações do trio aconteceram no Pelourinho, lugar onde pulsa a cultura afro-baiana. As apresentações daquele jovem trio de forró chamou a atenção do radialista, humorista e cantor baiano Gordurinha (1922-1969), famoso na época e que já tinha uma carreira profissional no Rio de Janeiro, mas que estava presente em Sa...