Postagens

“Tim Maia Disco Club” (Warner, 1978), Tim Maia

Imagem
Após desiludir-se com a seita Universo em Desencanto, onde estava afastado das drogas e do álcool, e até gravou dois álbuns que traziam nas canções toda a filosofia da Cultura Racional pregada pela representação religiosa, Tim Maia (1942-1998) estava de volta à vida mundana em 1976. Para retomar a carreira, Tim tomou uma atitude talvez não muito aconselhada para quem andou sumido dos holofotes do sucesso: lançou um disco em inglês, e de forma independente. Seria uma boa ideia se a intenção fosse o mercado internacional, mas não foi o caso. O resultado foi que o álbum em inglês, que levava o nome do cantor, foi um tremendo fracasso em vendas. No mesmo ano de 1976, Tim Maia assinou contrato com a gravadora PolyGram, e lançou um álbum autointitulado, cuja faixa de maior destaque foi “Rodésia”, música inspirada no país de mesmo nome que passava por grandes conflitos internos na década de 1970, e que culminariam na consolidação de sua independência perante o Reino Unido, em 1979, q...

“Alô Malandragem, Maloca O Flagrante” (RCA, 1986), Bezerra da Silva

Imagem
Por Sidney Falcão Bezerra da Silva (1927-2005) foi um dos mais carismáticos e escrachados nomes da história do samba. Apelidado de “embaixador das favelas”, ganhou fama com sambas irreverentes que retratavam malandros, caguetes, otários, policiais, cornos, sogras, adúlteras e políticos safados. Seu prestígio era tão grande que ultrapassavam as fronteiras do samba, a tal ponto de ser admirado até mesmo por bandas do rock brasileiro, dentre os quais Barão Vermelho e Planet Hemp. José Bezerra da Silva nasceu no Recife, em Pernambuco. Aos 15 anos, foi expulso da Marinha Mercante, onde trabalhava. Partiu para o Rio de Janeiro para fugir da pobreza em que vivia na capital pernambucana e também para procurar o seu pai. Chegou a encontra-lo na então capital do Brasil, mas após desentendimentos com ele, acabou ficando sozinho. Para sobreviver no Rio de Janeiro, trabalhou na construção civil como pintor de paredes. No final dos anos 1940, ingressa no bloco carnavalesco Unidos do ...

“A Panela do Diabo” (Warner, 1989), Raul Seixas e Marcelo Nova

Imagem
Por Sidney Falcão Na segunda metade dos anos 1980, Raul Seixas (1945-1989) estava em completa decadência artística. Atravessava por uma situação financeira terrível e por problemas de saúde agravados pelo vício no álcool e drogas. Raul estava desacreditado por jornalista e empresários do meio artístico. A possibilidade de Raul morrer esquecido e na miséria era quase certa. No entanto, sua parceria com Marcelo Nova - baiano de Salvador como ele - evitou que o mais expressivo astro do rock brasileiro tivesse um final de vida engolido pelo esquecimento. Essa parceria havia rendido uma turnê de 50 shows e um álbum, o A Panela Do Diabo , lançado dois antes da morte de Raul, em agosto de 1989. Mas para entender como se deu esse encontro de dois roqueiros provocadores e irreverentes, é necessário voltar no tempo, até o ano de 1984, quando Raul Seixas e Marcelo Nova se encontraram pela primeira vez. Naquele ano, Raul havia ido ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, assistir ao show...