“Cosmotron”(2003, Sony Music), Skank
A sonoridade da banda, calcada num misto de reggae, ska,
dancehall, rock e pop latino, apesar de tê-la levada ao estrelato, parecia ter
se tornado naquele momento um incômodo. No rastro do sucesso do Skank, começava
a aparecer algumas pencas de bandas no mercado copiando o estilo do quarteto.
A partir do álbum Siderado (1998), sucessor de O
Samba Poconé, o Skank começa um processo de mudança de rota musical. Em
Siderado,
o Skank ainda mantém a linha estilística que o consagrou, mas já traz sinais
do que estaria por vir. “Resposta”, a faixa mais diferente daquele álbum,
revela o caminho que a banda iria tomar em breve.
Diferente do transitório Siderado, no álbum
seguinte, Maquinarama (2000), a mudança estilística é mais acentuada e o trabalho
se mostra um divisor de águas na carreira do Skank. O quarteto mineiro deixa de
vez a som festivo do reggae, do ska e do dancehall, e segue um caminho mais
roqueiro, melódico e acústico como nas faixas “Três Lados” e “Ela Desapareceu”.
Lançado em julho de 2003, Cosmotron, sexto álbum de
estúdio do Skank, consolida o processo de mudança estilística da banda mineira.
Nele, são perceptíveis referências da fase psicodélica dos Beatles (safra
1965-1966), britpop, Oasis e o movimento Clube da Esquina, tudo dentro de uma
embalagem pop e acessível. O álbum é uma clara evolução de Maquinarama, onde o Skank
prima pelo colorido melódico e pela leveza poética das letras.
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Skank, da esquerda para a direita: Lelo Zaneti, Samuel Rosa, Haroldo Ferreti e Henrique Portugal. |
A presença da alma dos Beatles no álbum já é percebida na primeira faixa, “Supernova”, cuja levada rítmica remete à lisérgica “Tomorrow Never Knows”, do álbum Revolver. “As Noites”, balada de clima “oasiano”, possui um lirismo poético nos versos e uma beleza melódica capaz de levar o ouvinte ao mundo dos sonhos. “Pegadas Na Lua” é uma balada pop acústica com pinceladas psicodélicas e levada agradável aos ouvidos. “Amores Imperfeitos” é um folk rock sobre um relacionamento amoroso que acabou, mas que pode voltar. Em “Por Um Triz”, a introdução começa com uma batida eletrônica, mas que depois dá espaço para bateria agressiva e guitarras pesadas.
Com ecos de britpop e Oasis, “Dois Rios” foi um dos hits de Cosmotron. “Nômade” é a única faixa que faz lembrar o
Skank “regueiro” do passado, ainda que sob uma forma estilizada, etérea e
psicodélica. O piano destoante no final da faixa guarda alguma inspiração ao
piano de “Alladin Sane”, de David Bowie. A alegre e ensolarada “Vou Deixar”,
outro grande hit do álbum, carrega referências de Beatles de meados dos anos
1960. Em “Formato Mínimo”, a banda consegue empregar beleza poética nos versos
ao retratar o encontro de um jovem casal numa festa que termina num efêmero
sexo casual (“Para ele, uma transa típica / O amor em seu formato mínimo/ O
corpo se expressando clínico / Da triste solidão, a rubrica”).
O folk pop e romântico de “Resta Um Pouco Mais” é seguido
pelo teor crítico de “Os Ofendidos” e sua bateria dançante e guitarras
agressivas. Com um pé no pop e outro na bossa-nova, “É Tarde” faz lembrar
“Balada do Amor Inabalável”, do álbum Maquinarama.
“Um Segundo” é outra faixa com um clima britpop.
Com direito a loops e batida dançante, o álbum se encerra
com “Sambatron”, um flerte com a MPB que traz versos emprestados de “Águas de
Março”, de Tom Jobim, e “Reza”, de Edu Lobo e Ruy Guerra (“Laia badaia sabana /
Ave-maria / É pau, é pedra, é toda alvenaria, eu sei”).
Cosmotron vendeu apenas 210 mil cópias, números muito distantes
dos de Calango e Samba Poconé. Contudo, teve uma boa
recepção por parte da crítica e de público. O lançamento do álbum foi sucedido
de uma turnê pela Europa, onde o Skank tocou em Roskilde, na Dinamarca. O vídeo
clipe de “Dois Rios” recebeu o prêmio de melhor vídeo clipe pop no MTV Video
Music Brasil 2003, enquanto que o de “Vou Deixar”, conquistou o prêmio de melhor
videoclipe pop no MTV Video Music Brasil de 2004. Cosmotron já figura
entre os mais importantes álbuns da carreira do quarteto mineiro.
Faixas
- "Supernova" (Samuel Rosa - Fausto Fawcett)
- "As Noites" (Samuel Rosa - Chico Amaral)
- "Pegadas na Lua" (Samuel Rosa - Humberto Effe)
- "Amores Imperfeitos" (Samuel Rosa - Chico Amaral)
- "Por um Triz" (Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão)
- "Dois Rios" (Samuel Rosa - Lô Borges - Nando Reis)
- "Nômade" (Samuel Rosa - Chico Amaral)
- "Vou Deixar" (Samuel Rosa - Chico Amaral)
- "Formato Mínimo" (Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão)
- "Resta um Pouco Mais" (Lelo Zaneti - Chico Amaral)
- "Os Ofendidos" (Samuel Rosa/Chico Amaral)
- "É Tarde" (Samuel Rosa - Chico Amaral)
- "Um Segundo" (Samuel Rosa - Chico Amaral)
- "Sambatron" (Samuel Rosa - Chico Amaral)
Skank:
Samuel Rosa (vocal, guitarra e violão), Lelo
Zaneti (baixo), Henrique Portugal (teclados) e Haroldo Ferreti (bateria).
"Supernova"
"Dois Rios"
"Vou Deixar"
"Amores Imperfeitos"
O melhor álbum da banda Skank, em minha opinião, e com toda a certeza. Trabalho perfeito, do início ao fim.
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